A idade? Aquela amiga que ouço tantos maldizerem? Que a pobre fez? Nada! Só existiu.
A minha veio assim, brincando, fazendo graça e absurdamente tímida quando pequena. Não sustentava um olhar mais demorado de quem quer que fosse. Temia, constrangida. Ainda assim, o tempo segurava-me pelos cabelos.
Depois quis mostrar que chegaria. Veio com ares soberbos, num corpo concluído e em mente imatura. Senti a dificuldade de todos me dizerem pronta e eu me ver despreparada. Ainda assim, o tempo enlaçava-me a cintura.
A época seguinte deu-me uma mulher em construção, a jovem saindo de cena com gestos reverentes para aquela que chegava, tranquila. Ainda assim, o tempo abraçava-me gentilmente.
Quando olhei no espelho, meus olhos refletiram uma maturidade que não senti chegar. Não vi entrar. Não percebi a presença. Ainda assim, o tempo tirava-me para dançar. E ainda o faz.
Minhas mechas brancas, que incomodam alguns, são herança agradável da menina tímida, da adolescente que cresceu mas não amadureceu, da mulher que aprendeu com as dores mais que pensou um dia ser capaz de suportar. Não desejo colori-los, mas tocá-los e orgulhosamente tratá-los com a consideração que merecem.
Minhas rugas, que os intermináveis choros trouxeram, fazem duplas com as outras, as que gargalhei imensuravelmente. Amo-as todas e as respeito.
Não falo mal das idades, do tempo, do espelho denunciador.
Guardo o direito em ser grata pelos belos momentos vividos.
Isto tudo é meu e não há quem os tire de mim.
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