sexta-feira, 23 de maio de 2014

Minhas marcas e cicatrizes fizeram de mim quem sou, ao longo dos anos. Construíram alguém com uma bagagem tão grande que alguns livros poderiam ser escritos, abrangendo assuntos diversos. Mas algo fincou uma raiz profunda: o respeito que tenho pelos meus tombos, minhas dores e experiências. Fizeram com que eu seja mais generosa comigo mesma, aprendi a olhar de forma mais gentil para meus equívocos e erros. 
Meu corpo não é o mesmo, os brancos chegaram aos cabelos há anos, mas nada disso me assombra ou constrange. Gosto de ter meus batalhados 41 anos, faço questão de contabilizá-los todos. São meus por merecimento e vaidade nenhuma fará com que os encubra.
Não, o tempo não pára, ele nos leva junto, carrega no colo, com pressa. Só me resta viver e ser cada dia mais eu. Assinar meu nome no livro da vida e deixar minha digital nos que toco diariamente com meus sentimentos, palavras e presença.
O resto, por fim, será apenas lembrança. Vívida e intensa a quem me conhece profundamente e quem sabe, esmaecida e distante aos que me supõe. E todos estarão certos com suas imagens de mim. Não posso ser o meu melhor com todos. Não consigo ser aprimorada em tudo. Ainda assim, sou eu até o fim.

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