
Por que não nascemos sabendo? Por que passar por tantas experiências que nos magoam, ferem? Para que vivenciar as dificuldades?
Ainda não tive oportunidade de conhecer alguém que tenha aprendido por amor. Não nesta vida, pelo menos. E por que é necessário nos enfiarmos em algumas confusões, mal entendidos, dores ou pequenos infortúnios diários para simplesmente aprender?
Aprendemos a sugar o leite da mãe e lá vem uma tal de mamadeira para acabar com a graça. Aprendemos que chorar nos faz conseguir aquilo que queremos e precisamos e então temos que recorrer à fala e nos obrigam a pedir as coisas.
Engatinhamos com tamanha destreza e descobrimos que andar é o próximo caminho. Caímos tanto na tentativa de mantermo-nos de pé e mesmo assim persistimos.
Depois disso vem intermináveis hábitos e costumes que mudamos ou novos que adquirimos como comer sozinhos, lavar a própria cabeça, amarrar cadarços, ver horas no relógio de ponteiros (desafio!), andar de bicicleta, ler e escrever...
E quando estamos quase chegando aos quarenta, descobrimos que essas foram as primeiras das infinitas maravilhas que o mundo oferece-nos a assimilar. Sim, porque ainda vemo-nos com o "Aurélio" nas mãos de vez em quando ou consultando o mapa mundi para saber se tal país é África ou Ásia, de tão pertinho que fica. Percebemos que aprendemos uma nova expressão francesa depois de tantos anos de intimidade com o idioma. Que ao acessar nossos emails, existe uma nova configuração e alguns botões que nem imaginamos para que servem. Que nossos amados entes de 8 a 12 anos conhecem perfeitamente o mecanismo de algum aparelho que para nós é obviamente marciano.
Loge de mim que isso seja uma queixa. Há no mundo prazeres maiores que as novidades? Que o desafio de destrinchar um manual e ver nossa capacidade em fazer funcionar seja lá o que for? Prazer como agregar um novo idioma aos dois ou três que já dominamos? Em descobrir como safar-nos de uma discussão indesejável? Prazer igual a poder decidir pelo que julgamos melhor naquele momento, com aquela maturidade de escolha?
Somos seres desabrochando, todos os dias.
Realmente. É tão prazeroso aprender, que se tivéssemos nascido sabendo, qual o interresse teríamos em ficar aqui por sessenta ou setenta anos?
Quero chegar mais longe. Não sei até quando ou quanto, mas minha vontade é ir além dos noventa. E que para isso eu tenha como companheira minha curiosidade e todo desejo irrefreável de hoje em aprender!
Isso se chama maturidade! Parabéns, garota. Bjs
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